quarta-feira, 23 de maio de 2012

Âmago

O som
Está em todos os lugares
No barulho harmonioso do dia a dia
No ensurdecedor silêncio da negativa
Na calma da briga
No estrondo da paz

A luz
Está em todos os momentos
Na escura lucidez
Ou na ofuscante embriaguez
No incrivel equilibrio
No breu, no ébrio, em Orfeu

O ódio nada mais é
Que um monte mal compreendido                                                  Alceu Valença - Coração Bobo
De amor

E a dança
Cantante e luminosa
Faz sapateado na dificuldade
Samba em felicidade
Bolero em melancolia
E frevo na alegria
Apaixonadamente
Tango

E os quadros pintados pela Mão
Mudam a cada estação
Secular
Momentânea
Eterna
Passageira

O que não muda
E nunca se repete
É aquela música
Luminosa e resfolegante
Aquela imagem
Harmoniosa e tocante
Aquela dança
No silencio
E na escuridão

E se rompe em meu peito um buraco
E de dentro saem duas mãos da Mão
E arrancam tudo que há
Luzes coloridas e cintilantes
Que faiscam acordes em arpejos
Rios de fel e lodo fétido e encardido
Pedaços de mofo a rodo
Um monte mesmo de nada
A esmo
Enlouquecidamente lucidas
Arregaçam o buraco
E retiram minha psique
Uma cabeça que não pensava
Um coração que não sentia
E ferem com o fogo fátuo da criação
Me fazendo sentir emoção
Pensamento movido pela paixão
Dando sentido a vazão
De estravazar a razão
Em gritos absortos
Até a rouquidão
Até o coração
Pulsar
Forte
Vivo
Novo

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