quarta-feira, 23 de maio de 2012

Âmago

O som
Está em todos os lugares
No barulho harmonioso do dia a dia
No ensurdecedor silêncio da negativa
Na calma da briga
No estrondo da paz

A luz
Está em todos os momentos
Na escura lucidez
Ou na ofuscante embriaguez
No incrivel equilibrio
No breu, no ébrio, em Orfeu

O ódio nada mais é
Que um monte mal compreendido                                                  Alceu Valença - Coração Bobo
De amor

E a dança
Cantante e luminosa
Faz sapateado na dificuldade
Samba em felicidade
Bolero em melancolia
E frevo na alegria
Apaixonadamente
Tango

E os quadros pintados pela Mão
Mudam a cada estação
Secular
Momentânea
Eterna
Passageira

O que não muda
E nunca se repete
É aquela música
Luminosa e resfolegante
Aquela imagem
Harmoniosa e tocante
Aquela dança
No silencio
E na escuridão

E se rompe em meu peito um buraco
E de dentro saem duas mãos da Mão
E arrancam tudo que há
Luzes coloridas e cintilantes
Que faiscam acordes em arpejos
Rios de fel e lodo fétido e encardido
Pedaços de mofo a rodo
Um monte mesmo de nada
A esmo
Enlouquecidamente lucidas
Arregaçam o buraco
E retiram minha psique
Uma cabeça que não pensava
Um coração que não sentia
E ferem com o fogo fátuo da criação
Me fazendo sentir emoção
Pensamento movido pela paixão
Dando sentido a vazão
De estravazar a razão
Em gritos absortos
Até a rouquidão
Até o coração
Pulsar
Forte
Vivo
Novo

domingo, 20 de maio de 2012

Serafim

Arrrg!
                                                                                
Brasília!                                                                                                          

Este tempo seco...
Meu coração secou!
Ou será,
Que o tempo
E a distância
é que secaram?                                                                                              Sérgio Sampaio - Brasília



Don't be Scared - John & Yoko

Àquelas pessoas que amaram
Será que por isso já passaram?
Àquelas pessoas que estão amando
Será que por isso estão passando?



Fico pensando, será que vale a pena?
Atravessar todo esse tempo e distância,
De maremotos, secas e tempestades,
De dores, angústias e saudades,
Pra chegar no mais lindo dos vales?


 

Eu vou correr o risco.
Eu que não me arrisco,
A viver uma vida insossa,
Uma semi vida em vão
...
...
...
...
...
Mais vale um pássaro voando
Do que todos os outros na mão.


Procuro um Amor - Frejat

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Sacramento?!?!?

É suor?
Ou são lágrimas?
Nesses sol escaldante,
Ofuscante, ensurdecedor...                                          O Estrangeiro - Caetano Veloso

É o sol?
Ou são lástimas?
Neste dia inexorável,
Insondável, estarrecedor...

É o fel?
Este líquido amargo?
Nesta taça voluptuosa,
Adstringente, escarnecedora...

É a lua?
Esta estrela apagada?
Nesta noite parca,
Mesquinha, estremecedora...

É a morte?
Esta vida cerrada?
De escassos momentos?
Falsas alegrias? Minuciosas Magias?

Espículo. Espádua.
Escrúpulo. Estrupo.
Estirpe, corja!
Forja a própria forja.
Deleita-se em banho maria
João, José, Jesus.
Jeremias, Geraldos e Gerânios.
Heráclitos e Hermes
Quem sabe Hércules...
Fétidos fedores inodóros
Dolores...
Intransparentes
Incolores
Insossos
Salubres
Saturados.


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Horizonte Poente

A estrada é longa
Eu vejo o horizonte
Tão distante
E quero alcançar

Tanto eu caminho
E olho a paisagem
Apanho um fruto
E sigo viagem

Quando reparo
Olho o por do sol
O horizonte não é igual

Ou me perdi
Ou cheguei e não vi
Nao sei ao certo

Só sei que quanto mais eu ando
Não sei se estou mais longe
Ou se estou chegando mais perto

Alegria Alegria - Caetano Veloso

terça-feira, 8 de maio de 2012

A Lua, a Prostituta e o Alaúde


Ato I - Lua Minguante

Lua, ó lua, não faz assim...
Ver você sorrir pra mim,
Contente princesa
Tal qual vilão de filme
norte-americano, a francesa
Cativa a tua beleza
O bandido da história
Que te prende com crueza
Em calabouço da memória
E mantém tua luz refém
E te ama como a ninguém
Pois vendo-te indefesa
Reduzida a alegoria
Se detem à tua tristeza
Implorando sua alegria
Lembrando com nostalgia
A época e que brilhava energia
Donde era feiticeira e fantasia
Dona do encanto
Detentora da magia.



Ato  II - O Algoz

Lua, ó lua, não faz assim...
Ver você fugir de mim,
sorridente princesa
Tal qual vilão de filme
brasiliano, a burguesa
Comprava a tua beleza
O bandido da escória
Que te come com crueza
Em cortiço ébrio e inglória
E mentem como ninguém
Pois te amam como refém
Pois vendo-te indefesa
Reduzida a alegoria
Se metem com toda frieza
Pagando por tua sangria
Imaginando com heresia
A época e que brilhava energia
Donde era feiticeira e fantasia
Dona do encanto
Detentora da magia.

Ato III -A Dama

Lua, ó lua, não faz assim...
Ver você, meu anjo querubim,
delinquente princesa
Tal qual vilã de filme
italiano, a turquesa
Compara a tua beleza
Ao escuro, à inglória
Pois se dá com crueza
Ao rebuliço da escória
E não se doa a ninguém
Pois te amam por um vintém
Quando se vende com frieza
Reluzida a alegoria
Me ama com tristeza
Pagando por tua sangria
Imaginando com alegria
A época e que brilhará energia
Donde será feiticeira e fantasia
Dona do encanto
Detentora da magia


Ato IV - O Lúdico

Lua, ó lua, não faz assim...
Pois se tu te entregares a mim
Emergente princesa
Tal qual pessoa real
Ser humano, com humildade
É que te quero de verdade
Ser teu príncipe e ser leal
Ser caminho de tua felicidade
De teu corpo e alma energia vital
De seu jovem espírito guia astral
Detentor de sua cumplicidade
Compositor das melodias
Que dançará com sagacidade
Escreverá com liberdade
Em minhas linhas tua poesia
Recriando com maestria
A época em que brilhará energia
E será feiticeira e fantasia
Dona do encanto
Detentora da magia

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Traquéia

É...



Realmente um mundo doloso.             
Doloroso que nos reste o culposo.
Morrerão os filhos, os netos e o esposo.
Morrerá o poeta, o músico e o namorado.
Ainda assim digo que lhe tenho amado
É mesmo um mundo tão cruel...
Injusto e racional.
Sangra meu passional.

Neste mangue de lodo e esgoto,
Sinto lentamente se esgotar
Minha sede de amar.



Nadar o mar,
Mar inteiro.
Morrer na praia.
Se eu preciso de água
Não vou me afogar
Se este mar não saturar.

Não sou mais dócil
Porque sou amargo
Azedo e salgado.
Não me azede mais,
Não me amargue mais,
Não me salgue pois,
Sou peixe de água doce.

Vejo nos teus olhos
Que vê a beleza
Linda e maravilhosa
Que é.                                   
                                                                                   Os Mutantes - Balada do Louco
Vida.