terça-feira, 18 de setembro de 2012

Abismo Colorido - Lagoa Abissal

Viva
A vida                                                                                                                       Titãs - AA UU
Visceral

Por fora
Esporte fino
Sapatos polidos

Por dentro
Nós de gravata
Camisas rasgadas



Nade e sinta                              
A tua lagoa límpida                                                                                        Marisa Monte - Bem Leve

Sem manhas
Nade logo em logoas estranhas
Perceba! Elas estão cheias de entranhas

Nade em seus devaneios de paz
Sabendo que ali dentro jaz
Fúria, ódio, rancor e mais

Megulhe profundo
Onde a água é obscura                                                                                 Astor Piazzolla - Adios Nonino
Onde é densa a respiração

Arranque de lá seu coração
Emergindo a tona em explosão
Fundindo dor e alegria em confusão


Sentindo transfigurar-se imenso turbilhão
Da infinidade colorida da emoção
Ao firmamento azul da criação

Da pálida escuridão
Do branco tênue embrião
À tenaz, transparente, perfeição.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Vendendo

                                                                                    Vivendo
      Vir vendo
            Vendaval
                  Vivenda
                        Várzea
                              Vortex
                                   Vias públicas
                                         Aéreas
                                               Areias
                                                     Dunas
                                                           Duma
                                                                 Pluma
                                                                     Plena





Coqueiro
Bambuzal
Charque
Echarpe
Encharque
Encharéu
Confesso
Culpado
Adotado
Mártir
Matinê
Madame
Desmando
Desamor
Sabor
Ardor



Vir vendo a dor
Vivendo o amor       
Vivenda refazenda                                                          Gilberto Gil - Refazenda
Toda ela




terça-feira, 24 de julho de 2012

Mãe Divina

Então é verdade?

Que a senhorita é feita de arte?
Que a luz,
Que transborda dos seus olhos,
Feito água de cahoeira,
Se derrama pelos teus cabelos
Fazendo teu sorriso bonita lagoa
E tua risada,
Gostosa chuva de verão
A regar as planícies
E montes do teu corpo?

É verdade senhorita fantasia,
Que nestas terras distantes existia
Uma senhora mulher que construia
De suor e sangue e poesia
Um lar repleto da magia
Do amor?

Me diga senhorita, por favor!
Se deitada no berço do Criador
Não eram aquelas mão as do Senhor?

Trazendo com o vento o pólen,
Germinando em teus campos                                                         Milton Nascimento - Comunhão
As flores das tuas virtudes
E frutificando a árvore da tua vida,
Com o dom de, menina e mulher,
Renascer como mãe.

Do barro do teu ventre
Foi esculpindo o teu menino.
Pelas mãos do Destino
Moldado sempre feito escultura
Do teu rosto, na verdade, pintura.

Não é lindo, senhora senhorita?
Na casa de seu coração.
Dançar a canção da família,
Em teus braços tua cria,
Emanar ao universo alegria
Escrevendo o mais belo verso
Vivendo em prosa
A verdadeira poesia?

terça-feira, 19 de junho de 2012

Semáforo (O Sinal)

Hibernado em prisão deserta
Sentir que dentro, desperta,
A criatura sacra e vil sente
O frio e o calor que invente
A criatura de fora

São o belo e o feio
Sangue fluídico, veio
Correndo por dentro das veias
Criando todas as tramas e teias

Enredado
Esvanecem minhas forças
Não dá pra lutar comigo
Não da pra vencer

Solidifica-se dentro
Profundo
Semente de arvore viva
Do fruto fecundo
Oriundo do antes
Crescente agora
Amanhã afora
Aqui e agora

Da flor que aflora
Da mulher senhora                                                           Caetano Veloso - Odeio
do senhor menino
A musica da sina
O sino

A água
Bem ou mal?

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Fecundo

Tortuosa
A caminhada desenha a estrada

Inevitável
Labaredas infringirem os corpos
A fraqueza agredir a vontade
A verdade violentar o ego

Entretanto
Despencando do desfiladeiro
É possível observar que
Suspensos no ar
Voam

Pássaros livres
Libertos da gravidade


Desejo ser como eles                                                  Radiohead - Lotus Flower
Sentir atravessar o céu
Perto, bem perto,                                                       Titãs - Flores
De Deus
                                                                                 Janis Joplin - Flower in the Sun 

Meu corpo estendido no chão
Banhado no sangue já frio
Subentende a morte

Sorte me reunir ao solo
Nutrir-lo

Sobre meu sepulcro
Em crescida oliveira
Alimentam-se as aves

Graças Ave-Maria!
Onde minha vida
Nos frutos jazia

Agora jorram
Das asas das aves

Semeam os sonhos de alegria
Regam os violões cantantes
florescem as vidas errantes
Frutificam o amor de magia

São partículas e são crianças
Brincando no parquinho
Sob o sol de tardezinha
Quase se pondo
Quase nascendo
Aconchegando
Aquecendo
Ninando


segunda-feira, 11 de junho de 2012

À Sinfonia da Chuva

                                                                                                           Legião Urbana - Giz


O samba é amar         
E amar é um mistério
O ramance astral
De brincar a sério

A lida
Para muitos sofrida
Para muitos ausente
Apagada

Para outros era  risada
A transparência
A brisa gelada
As batas molhadas

Era conversar
E conhecer
Era caminhar
E dançar

À sinfonia da chuva


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Âmago

O som
Está em todos os lugares
No barulho harmonioso do dia a dia
No ensurdecedor silêncio da negativa
Na calma da briga
No estrondo da paz

A luz
Está em todos os momentos
Na escura lucidez
Ou na ofuscante embriaguez
No incrivel equilibrio
No breu, no ébrio, em Orfeu

O ódio nada mais é
Que um monte mal compreendido                                                  Alceu Valença - Coração Bobo
De amor

E a dança
Cantante e luminosa
Faz sapateado na dificuldade
Samba em felicidade
Bolero em melancolia
E frevo na alegria
Apaixonadamente
Tango

E os quadros pintados pela Mão
Mudam a cada estação
Secular
Momentânea
Eterna
Passageira

O que não muda
E nunca se repete
É aquela música
Luminosa e resfolegante
Aquela imagem
Harmoniosa e tocante
Aquela dança
No silencio
E na escuridão

E se rompe em meu peito um buraco
E de dentro saem duas mãos da Mão
E arrancam tudo que há
Luzes coloridas e cintilantes
Que faiscam acordes em arpejos
Rios de fel e lodo fétido e encardido
Pedaços de mofo a rodo
Um monte mesmo de nada
A esmo
Enlouquecidamente lucidas
Arregaçam o buraco
E retiram minha psique
Uma cabeça que não pensava
Um coração que não sentia
E ferem com o fogo fátuo da criação
Me fazendo sentir emoção
Pensamento movido pela paixão
Dando sentido a vazão
De estravazar a razão
Em gritos absortos
Até a rouquidão
Até o coração
Pulsar
Forte
Vivo
Novo

domingo, 20 de maio de 2012

Serafim

Arrrg!
                                                                                
Brasília!                                                                                                          

Este tempo seco...
Meu coração secou!
Ou será,
Que o tempo
E a distância
é que secaram?                                                                                              Sérgio Sampaio - Brasília



Don't be Scared - John & Yoko

Àquelas pessoas que amaram
Será que por isso já passaram?
Àquelas pessoas que estão amando
Será que por isso estão passando?



Fico pensando, será que vale a pena?
Atravessar todo esse tempo e distância,
De maremotos, secas e tempestades,
De dores, angústias e saudades,
Pra chegar no mais lindo dos vales?


 

Eu vou correr o risco.
Eu que não me arrisco,
A viver uma vida insossa,
Uma semi vida em vão
...
...
...
...
...
Mais vale um pássaro voando
Do que todos os outros na mão.


Procuro um Amor - Frejat

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Sacramento?!?!?

É suor?
Ou são lágrimas?
Nesses sol escaldante,
Ofuscante, ensurdecedor...                                          O Estrangeiro - Caetano Veloso

É o sol?
Ou são lástimas?
Neste dia inexorável,
Insondável, estarrecedor...

É o fel?
Este líquido amargo?
Nesta taça voluptuosa,
Adstringente, escarnecedora...

É a lua?
Esta estrela apagada?
Nesta noite parca,
Mesquinha, estremecedora...

É a morte?
Esta vida cerrada?
De escassos momentos?
Falsas alegrias? Minuciosas Magias?

Espículo. Espádua.
Escrúpulo. Estrupo.
Estirpe, corja!
Forja a própria forja.
Deleita-se em banho maria
João, José, Jesus.
Jeremias, Geraldos e Gerânios.
Heráclitos e Hermes
Quem sabe Hércules...
Fétidos fedores inodóros
Dolores...
Intransparentes
Incolores
Insossos
Salubres
Saturados.


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Horizonte Poente

A estrada é longa
Eu vejo o horizonte
Tão distante
E quero alcançar

Tanto eu caminho
E olho a paisagem
Apanho um fruto
E sigo viagem

Quando reparo
Olho o por do sol
O horizonte não é igual

Ou me perdi
Ou cheguei e não vi
Nao sei ao certo

Só sei que quanto mais eu ando
Não sei se estou mais longe
Ou se estou chegando mais perto

Alegria Alegria - Caetano Veloso

terça-feira, 8 de maio de 2012

A Lua, a Prostituta e o Alaúde


Ato I - Lua Minguante

Lua, ó lua, não faz assim...
Ver você sorrir pra mim,
Contente princesa
Tal qual vilão de filme
norte-americano, a francesa
Cativa a tua beleza
O bandido da história
Que te prende com crueza
Em calabouço da memória
E mantém tua luz refém
E te ama como a ninguém
Pois vendo-te indefesa
Reduzida a alegoria
Se detem à tua tristeza
Implorando sua alegria
Lembrando com nostalgia
A época e que brilhava energia
Donde era feiticeira e fantasia
Dona do encanto
Detentora da magia.



Ato  II - O Algoz

Lua, ó lua, não faz assim...
Ver você fugir de mim,
sorridente princesa
Tal qual vilão de filme
brasiliano, a burguesa
Comprava a tua beleza
O bandido da escória
Que te come com crueza
Em cortiço ébrio e inglória
E mentem como ninguém
Pois te amam como refém
Pois vendo-te indefesa
Reduzida a alegoria
Se metem com toda frieza
Pagando por tua sangria
Imaginando com heresia
A época e que brilhava energia
Donde era feiticeira e fantasia
Dona do encanto
Detentora da magia.

Ato III -A Dama

Lua, ó lua, não faz assim...
Ver você, meu anjo querubim,
delinquente princesa
Tal qual vilã de filme
italiano, a turquesa
Compara a tua beleza
Ao escuro, à inglória
Pois se dá com crueza
Ao rebuliço da escória
E não se doa a ninguém
Pois te amam por um vintém
Quando se vende com frieza
Reluzida a alegoria
Me ama com tristeza
Pagando por tua sangria
Imaginando com alegria
A época e que brilhará energia
Donde será feiticeira e fantasia
Dona do encanto
Detentora da magia


Ato IV - O Lúdico

Lua, ó lua, não faz assim...
Pois se tu te entregares a mim
Emergente princesa
Tal qual pessoa real
Ser humano, com humildade
É que te quero de verdade
Ser teu príncipe e ser leal
Ser caminho de tua felicidade
De teu corpo e alma energia vital
De seu jovem espírito guia astral
Detentor de sua cumplicidade
Compositor das melodias
Que dançará com sagacidade
Escreverá com liberdade
Em minhas linhas tua poesia
Recriando com maestria
A época em que brilhará energia
E será feiticeira e fantasia
Dona do encanto
Detentora da magia

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Traquéia

É...



Realmente um mundo doloso.             
Doloroso que nos reste o culposo.
Morrerão os filhos, os netos e o esposo.
Morrerá o poeta, o músico e o namorado.
Ainda assim digo que lhe tenho amado
É mesmo um mundo tão cruel...
Injusto e racional.
Sangra meu passional.

Neste mangue de lodo e esgoto,
Sinto lentamente se esgotar
Minha sede de amar.



Nadar o mar,
Mar inteiro.
Morrer na praia.
Se eu preciso de água
Não vou me afogar
Se este mar não saturar.

Não sou mais dócil
Porque sou amargo
Azedo e salgado.
Não me azede mais,
Não me amargue mais,
Não me salgue pois,
Sou peixe de água doce.

Vejo nos teus olhos
Que vê a beleza
Linda e maravilhosa
Que é.                                   
                                                                                   Os Mutantes - Balada do Louco
Vida.            

sábado, 28 de abril de 2012

Ensejo

Desejo
Ontem
Hoje
Amanhã

Que todas as árvores cresçam
Exaltando a existencia
Cantando o silêncio
Dançando toda essência

Que os ares carreguem
Que os ventos se entreguem
Que as águas desaguem
Os mais puros mares que existam

Que nas grutas ecoem
Nas lagoas ressoem
Das cachoeiras despenquem                  
Das fontes brotem                                                                      Balança Pema - Marisa Monte

Qua a filosofia tente
Que a física intente
O que a matemática almeja
E a química alcança

Desejo
Corpo
Mente
Alma

Não peço que compreenda
Não espero que me entenda
Não quero que você minta
Só quero que você sinta

Que de verdade
Que tudo o que eu quis
Minha vontade
Era que fosse feliz

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ódio ou Amor?


 Astor Piazzola - Duo de Amor

Qual vale mais? O Ódio ou o Amor? O ódio, claro!
Entregar-se ao ódio custa muito mais caro!
Terá de entregar sua humildade ao orgulho.
Seu amor próprio à vaidade.
Entregará teu caráter, tua honra e tua compaixão.
Terá, aos poucos, que se desfazer das pessoas
 conhecidas, a começar pelos distantes conhecidos.
Depois os amados amigos.
E os familiares queridos.
Por fim, a pessoa amada.
Então, se verá entregando de bandeja
A própria felicidade.
Ao passo que o Amor nada te custará!
Cada sorriso
Cada abraço
Cada gesto carinhoso
Que doar
Para ti irá voltar
Multiplicado várias vezes
E somado à um bem-querer sempre crescente
Expoente de uma conta que nunca findará
Resultando extraordinários lucros,
Contabilizando-se insignificantes prejuízos,
Esclarecendo inúmeros desenganos...

Agora eu te pergunto:
Qual vale mais?
O Amor ou o Ódio!?!?

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Seja Feliz


Teu nome é delírio
Doce  e violento
Consome meus pensamentos
Me venda os olhos
E me concede um último
Desejo











Porém

Enfim,
Foi arrancada do âmago do meu ser
Aquela tormenta infindável

Mas,
Ao contrario do que meu ego anseara
Demonstrou-se a tormenta inacabável

O caos controlado
Beber deste mal engarrafado

Tanto faz se de dentro pra fora
Ou se de fora para dentro.

Músculos rijos
Tensão
Insônia
Pesadelos

Mostram-se mais leves
Do que as vãs

Anestesias
Relaxantes                                                              Arnaldo Antunes - O Nome Disso
Sonolentas
Pesado elo

O peso da leveza
A leveza do peso


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Inspiração


 Sol e sombra, domingo e descanso
Uma cadeira preguiçosa
Ou balançar no balanço?
Uma brisa gostosa
E uma água de côco
E uma grande vontade
De ficar mais um pouco
Um cochilo e as horas voam
Um assobio e as folhas voam
Uma gota
E mais outra
E mais uma que acerta o rosto
Que escorrega e mostra o gosto
Molhado
Da chuva

Ao redor, ninguém
Se escondem da água que vem
Uma gota e mais outra
A chuva e mais ninguém

Além de mim

O que será que me faz
Dançar essa dança louca?


 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Dorceano

São Paulo.
Lapa.
Metropole.
Babilônia.

A maré arrasta
O peixe grande
E os cardumes.
Contra a correnteza,
Não é uma opção...

Frenesi desenfreado,
Egoísmo desenganado.
Multidão,
Solidão.
                                                                                                         Sampa - Caetano Veloso

Inebriante rotina
Paulatinamente
Esgotando,
Exaurindo,
A sanidade,
A individualidade.

Felicidade é bem material

Loucura é Paz espiritual
A árvore ali, de pé...
Desvairada,
Exaltando,
Insensata.

Normal sou eu,
Indiferente ao semelhante.
Insensível a dor alheia.
Implacável à minha.

Os homens de carne são feitos de fraquezas.
Os homens de aço são feitos de que?

Tantos peixes,
Tantos passáros,
Neste mar fétido,
Que eu tanto amo.
 


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Augúrio

É fome do Filho, do Pai
E do Espírito Santo

É sorrir segurando o choro
E dormir silenciando o coro
Da consciência

É trabalhar debaixo do sol
Ou por detrás do balcão

É plantar a semente
Morrendo de fome

É chuva que não cai no agreste
E a chuva que cai no sudeste
É tirar os móveis da casa que alaga

É um parente que sumiu
E não está entre a gente
É também seguir em frente

É Vontade
É Verdade
É Saudade

É a falta que faz
Sentimento atroz
Esta dor feroz
Do amor que jazz

Imany - Pray for Help



Artur




Se meu pai pode me esquecer
Não vou deixar acontecer
O mesmo com você.

Vou cantar um samba tranquilo
Pra você dormir
Ao som da minha voz

Artur, voe com os anjos para o céu
E nade nas nuvens laranjas do por do sol

Quero ver você crescer
Quero ver você sorrir e chorar
Quero ver você dormir
E também te acordar
Quero ver tentar cantar
Quero ver desafinar
Quero ver cair
E tambem se levantar
Quero ver desanimar
Quero ver desanimar
Se a tua mão eu segurar

Artur, voe com os anjos para o céu
E nade nas nuvens laranjas do por do sol

Lightnin Hopkins - Baby Please Don't Go

Desabafo


Palavras
Como o álcool em minha boca
Logo secam e me dão sede

Tantas palavras
Entorpecentes
Querem alimentar o ego

Fel!
Minha fome é de surdez
Gritar até estourar os tímpanos

Apimentar meus olhos
Com tua presença altiva
Mel!

Estou exausto de comer poeira
Ah! Esse ar seco...
Essa água impúra!

Arrrrrrrrrrrrrg!!!!!!

Big Mama Thornton - My Heavy Road