
Saudades se escrevem no peito
Na fria sala da solidão.
As tintas são as mais variadas!
Se assemelham a notas dissonantes,
Cores que destoam no quadro vivo
Do coração.
Aquela quieta melodia azul
Em contraste com dores quentes...
Quase como se a vida que pulsa aqui dentro,
Fosse o vazio latejado de alguém alegrar a existência
Apenas "sendo", num canto qualquer ditante de mim...
Estranho?
Escrever com lágrimas o sofrimento
E se contentar logo em seguida?
É como se eu, escrevendo estes versos em prosa,
Percebesse que esta ferida aberta que descrevo é, na verdade,
Prova incontestável que a motivação da existência,
Toda minha fútil, breve e inconsequente existência,
É Amar.
E que se sofro
É porque sou papel em carne viva
Sendo escrito pela vida
Em notas fortes,
Traço contínuo,
Pinceladas revoltas
A poesia-canção
De beleza sublime
Que apesar de fugaz,
Tem a virtuosa pretensão
De ser Amor.




